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Hugo falcão vai de Maceió à cidade de Lençóis na Bahia

Um dos destaques da viagem foi o palácio de cristal, deslumbrante pela quantidade de belas formações rochosas e de sua cor esbranquiçada.

Tivemos que nos planejar bem, pois seriam aproximadamente 2000km, saindo de Maceió/AL até a cidade de Lençóis/BA e, depois retornando à capital alagoana. Tínhamos que preparar o roteiro de ida e volta com todas as paradas necessárias para abastecimento e descanso. Bom, depois que organizamos nossa viagem, era hora de acertar a hospedagem em Lençóis/BA. Ficaríamos hospedados na mesma pousada da maioria dos nossos amigos do fórum Ténéré Club. Depois de organizar essa primeira etapa da viagem, era hora de ver como poderíamos fazer com relação ao trabalho, pois não estaríamos de férias. Graças a Deus e ao diretor da empresa que trabalho, pude ter um dia e meio de folga, aproveitando o feriadão da independência.

Tudo preparado e a ansiedade rolando solta na espera do dia de pegar a estrada até o local do evento de encontro das lendárias Ténérés, que aqui no Brasil apresentam-se com 250, 660 e 1200 cilindradas (nos modelos mais recentes), e 600 e 750 cilindradas nos modelos mais antigos. Agora era só esperar o grande dia. Só para deixar mais clara a nossa aventura, havíamos marcado para partir no dia 06 de setembro (quinta-feira) às 5:00h da manhã. Pretendíamos chegar em Itaberaba/BA antes do final da tarde. E caso conseguíssemos chegar nesse horário, iríamos seguir viagem até Lençóis/BA, dormindo já no nosso destino final.

Nossa viagem estava programada para ser feita entre os dias 6 e 10 de setembro, onde dividimos o percurso em cinco dias como abaixo:


1º Dia: Maceió/AL a Itaberaba/BA: 738km
2º Dia: Itaberaba/BA a Lençóis/BA: 143km
3º Dia: Passeios pela Chapada Diamantina com o pessoal do evento.
4º Dia: Início do retorno a Maceió/AL - Lençóis/BA a Aracaju/SE: 613km
5º Dia: Aracaju/SE a Maceió/AL: 270km

Cidades onde faríamos as paradas para abastecimento e alimentação:

1° Dia: Saída de Maceió pela AL101 Sul, até Barra de São Miguel; seguindo pela AL220 e depois pela BR101 com destino a Itaberaba/BA para pernoite.

·                     De Maceió a Porto Real do Colégio - BR101: 170km

·                     De Porto Real do Colégio até Estância/SE - BR101: 167km

·                     De Estância/SE a Alagoinhas/BA - BR101: 156km

·                     De Alagoinhas/BA a Itaberaba/BA - BR101, BR324, BR116, BR242: 245km

·                     Dormida em Itaberaba/BA

2° Dia: Itaberaba/BA – Lençóis/BA

·                     Itaberaba até Lençóis pela BR242 e BA850: 143km

3° Dia: Lençóis e proximidades: Programação do evento.

4° Dia: Início do retorno a Maceió – Lençóis/BA até Aracaju/SE: Saída de Lençóis com destino a Aracaju onde será realizada a pernoite.

·                     De Lençóis a Itaberaba pela BR242: 143km

·                     De Itaberaba a Feira de Santana pelas BR242 e BR116: 163km

·                     De Feira de Santana a Esplanada pela BR101: 150km

·                     De Esplanada a Aracaju pela BR101: 157km

5° Dia: Chegada em Maceió

·                     De Aracaju a Porto Real do Colégio pela BR101: 100km

·                     De Porto Real do Colégio a Maceió pelas BR101, AL220 e AL101: 170km

Infelizmente tivemos um imprevisto, o que nos fez adiar em sete horas a nossa partida. Terminamos saindo ao meio dia, rumo ao nosso destino. Nossos planos foram totalmente alterados por causa disso, pois não iríamos mais dormir em Itaberaba, e sim, em Alagoinhas/BA.

Estávamos prontos para seguir viagem com nosso amigo Alberto Góes e sua Ténéré 660 mas, devido ao nosso imprevisto, ele seguiu viagem na nossa frente. Como ele iria viajar numa velocidade média de 90km/h, vimos que em certo momento da viagem de ida iríamos nos encontrar na estrada. Seguimos numa velocidade entre 95 e 115km/h na nossa Ténéré 250, eu e Niva e, mais dois alforges e um bauleto. Isso mesmo, a branquela estava bem carregada! Mas não fez feio, conseguimos desenvolver bem durante todo o caminho até nosso encontro com Alberto, já na cidade de Cristinápolis/SE.

Programamos então nossa primeira parada juntos, já na Bahia. Aproveitamos para descansar um pouco e tomar aquela aguinha num posto de combustíveis na cidade de Esplanada/BA.

Após nossa parada estratégica, partimos em direção a Alagoinhas/BA, onde iríamos pernoitar, pois já eram 20:30h quando chegamos à cidade. Ficamos hospedados num hotel no centro daquele município e, na manhã da sexta-feira, 7 de setembro, seguimos viagem até Lençóis. Faríamos ainda algumas paradas, entre elas, nas cidades de Ipirá e Itaberaba.

Depois de aprontar as motos era hora de pegar a estrada novamente. Seguimos então nossa jornada rumo à Ipirá/BA. Nossa viagem seguiu tranquilamente sob um céu azul e um sol fazia todas aquelas paisagens ficarem ainda mais belas. Perto do meio dia fizemos uma breve parada para almoçarmos. Aproveitamos para comer uma carne de bode na brasa... só faltou o cochilo na rede. Mas não dava! Tínhamos que seguir com nossa aventura.

Após mais ou menos duas horas na estrada, chegamos finalmente ao acesso à cidade de Lençóis, o que foi motivo de alívio e alegria, pois o cansaço era grande, sem falar da vontade de encontrar com nossos amigos do Ténéré Clube. Ao chegar na cidade fomos procurar as pousadas onde tínhamos reservas feitas, foi quando nos separamos de Alberto. Após deixarmos as bagagens na pousada, fomos dar uma volta pela pequena e bela cidade de Lençóis. Tivemos então a idéia de voltarmos até a estrada para tirarmos algumas fotos ao lado da placa do Parque Nacional da Chapada Diamantina.

Fotos tiradas e registro devidamente feito, voltamos para a pousada, pois queríamos descansar um pouco. Como chegamos às 14:30h não encontramos com o pessoal do evento, pois havíamos saído ainda cedo pela manhã para fazer um passeio pelos pontos turísticos da Chapada. Ficamos esperando nossos companheiros do Ténéré Club voltarem e, enquanto isso, começamos a traçar nossos planos para os passeios do dia seguinte.

Quando o pessoal chegou do passeio pudemos conversar um pouco e colher algumas informações sobre onde ir no dia seguinte. Foi quando combinamos com um casal de amigos de Recife/PE, Newton e Alexsandra, de irmos juntos com mais alguns amigos até a fazenda Pratinha, local onde existe a gruta Azul e o rio Pratinha, que em certo ponto passa a ser subterrâneo. Fomos dormir morrendo de vontade de pegar estrada novamente.

Bom, acordamos renovados e fomos tomar o café da manhã com todo o pessoal do encontro que estava hospedado na mesma pousada! Falamos dos nossos planos e partimos para encontrar os outros amigos que iríam conosco até a fazenda Pratinha. Ficamos sabendo que iríamos pegar um bom trecho de estrada de barro, o que me deixou ainda mais feliz!

Fomos em três motos, a nossa Ténéré 250 e mais duas Super Ténérés 1200, dos amigos Newton Tenório e Nelson Braga, ambos engarupados com suas respectivas companheiras. Ao chegarmos na fazenda Pratinha ficamos conversando e decidindo os passeios que faríamos ali quando, de repente, encosta um carro no estacionamento, do nosso lado. Niva, minha esposa, viu o adesivo na porta do carro e comentou comigo: Planeta Extremo não é um programa de TV? Respondi que sim, que é um quadro do Fantástico, da Rede Globo. E para nossa surpresa quem desce do carro! Clayton Conservani, o repórter daquela emissora que é o apresentador daquele quadro do Fantástico. Estavam ali para fazer uma reportagem sobre uma caverna ainda pouco explorada, na qual foram descobertos alguns fósseis. Bom, aproveitamos para tirar algumas fotos e conversar um pouco com ele. Figura super simpática, gente boníssima!

Despedimo-nos do Clayton Conservani e fomos conhecer a Gruta Azul. Uma pequena caminhada em meio àquela paisagem deslumbrante e logo chegamos ao acesso à gruta, que é feito por uma escada bem íngreme. O local é lindo, mágico! Só em ver a entrada da gruta lá de cima da escada já ficamos maravilhados de estarmos ali, visitando aquela obra divina.

A Gruta Azul leva esse nome por causa da sua água que, em certa hora do dia e, dependendo da época do ano, recebe os raios do sol nos revelando uma tonalidade linda de azul, refletindo nas paredes e teto da gruta. Mesmo não estando os raios do sol incidindo diretamente na água, pudemos apreciar a beleza daquele lugar. Ficamos ali parados apreciando o que até então só tínhamos visto pela TV! Chega a ser emocionante estar ali, vivendo aquele momento e podendo apreciar a experiência de estar numa gruta, ainda mais acompanhado da minha índia que, como geógrafa, estava ai maravilhada com tudo o que via.

Estávamos ali extasiados com tamanha beleza e fenômeno da natureza, mas era hora de deixarmos a gruta e seguirmos com nosso passeio. Hora de encarar a escadaria para sair da gruta! E quem disse que ficamos desanimados em encarar a escadaria... éramos só alegria! Então, que venham os degraus.

Deixando a gruta Azul, fomos até o rio Pratinha, onde tem uma área com mesas sob uma bela massa de árvores às margens do rio. Lá pode-se ficar observando a paisagem ou interagir com ela, através de passeios de caiaque, tirolesa e ainda, um mergulho de flutuação até dentro de uma outra gruta, onde se pode entrar até 170m apenas flutuando nas águas do Pratinha.

Como a água estava um tanto fria, preferi curtir a tirolesa. Fiz uma pequena caminhada até o local da plataforma e fiquei esperando minha vez, doido para experimentar a sensação de pular no nada e curtir o passeio.

Depois de curtir o rio Pratinha e seus atrativos, começamos a traçar o próximo passeio. Pensamos em ir até a gruta Lapa Doce. Teríamos que pegar mais um bom trecho de estrada de barro até chegar no local da gruta. Bom, nem preciso dizer que ficamos felizes por isso... mais aventura nas estradas de barro, levantando poeira e deixando a moto e nossas roupas num tom alaranjado por causa da poeira.

Partimos então com nossos amigos Newton e Alexsandra. E ao chegarmos no local da gruta Lapa Doce, percebemos que terminaríamos perdendo muito tempo, pois tinha muita gente no local e havia lista de espera para visitar a gruta. Pensamos na possibilidade de ir até a cachoeira da Fumaça, mas sabíamos que teríamos um bom trecho andando à pé, o que nos desanimou devido a hora, pois já eram quase 11:30h e o sol estava a todo vapor!

Sem problema! Decidimos então partir rumo à Caverna da Torrinha. Lá teríamos que andar em torno de 2km por dentro da caverna mas, pelo menos sem a presença do amigo sol nos deixando enfraquecidos e desidratados na caminhada.

Ao chegar no local da caverna já percebemos de imediato a grandeza do que iríamos presenciar ali, pois um paredão imenso com aberturas entre as rochas nos faziam pensar que por ali passava água, e que não era pouca. Acertamos com o guia local, o nosso amigo Djavan e seguimos para dentro da caverna.

À medida que chegávamos perto da entrada da caverna o coração ia batendo mais forte, pois nunca havíamos entrado num lugar como aquele, e a emoção era grande. Fiquei ainda mais feliz ao ver o sorriso estampado no rostinho da minha índia, que estava ali vivenciando tudo aquilo e podendo presenciar o que viu durante toda a sua vida acadêmica, na graduação, mestrado e doutorado em geologia sedimentar. A alegria dela era contagiante e só me fazia ter a certeza que a viagem até ali já havia valido muito a pena!

Continuamos seguindo nosso guia, que nos levava em direção à entrada da caverna, que mais parecia uma boca prestes a nos engolir! Mas estávamos tão ansiosos que não havia espaço para o medo, pois nosso espírito aventureiro já estava à flor da pele e louco para desbravar aquele lugar, para conhecer novas coisas, ter experiências até então não sentidas!

Um detalhe que nos deixou ainda mais excitados foi a escuridão total dentro da caverna, pois tínhamos que usar lanternas para nos deslocar lá dentro. Na foto acima já dá pra ver um pouco dessa escuridão, tiramos a foto com flash que iluminou poucos metros para trás. Mas notem a escuridão entre o local onde estávamos e a entrada da caverna.

Caminhamos uns 150m dentro da caverna até chegarmos num local onde existe uma fenda na rocha, por onde passamos para ter acesso a uma das galerias da Torrinha. 

A nossa caminhada estava só começando. É fascinante o ambiente dentro da caverna, com um vento frio que mais parecia existir um aparelho de ar-condicionado lá dentro. Na foto acima podemos ver as partículas de poeira em suspensão dentro da caverna. Como nosso grupo era pequeno não tivemos problema com a poeira. Seguimos andando levados por nosso guia Djavan, que nos mostrava os detalhes nas rochas do teto da caverna.

Niva estava ali super animada, encantada, pois estava no meio do seu "objeto" de trabalho, rochas que nos mostram o que aconteceu ali através dos desenhos formados pela ação do tempo.

 Após uma breve parada para apreciarmos os desenhos criados pela ação do tempo nas rochas, continuamos com nossa caminhada pela caverna da Torrinha. É impressionante a força da natureza ao formar todas aquelas paisagens ali dentro. A caverna é formada por três grandes galerias, e pudemos visitar todos eles. Na primeira pudemos ver esses desenhos no teto da caverna. Na segunda começamos a ver as estalactites e estalagmites, formações que encantam nossos olhos, sem falar do sentimento que nos invade em saber que a caverna tem vida.

No segundo salão deve-se tomar um certo cuidado devido à altura do teto e por causa das estalactites que, em alguns casos são enormes. Chega a ser emocionante ver de perto todo aquele cenário e a força da natureza.

Ao deixarmos a segunda galeria partimos em direção à terceira e última, e uma das mais bonitas... a galeria de cristal. Formações lindas que pudemos visualizar naquele lugar. Detalhes tão delicados que mais parecem terem sido feitos pelas mãos do homem. As formas vão desde flores até cortinas de cristais como podemos ver nas fotos abaixo. Formações lindas e delicadas que nos deixam maravilhados.

O palácio de cristal é deslumbrante pela quantidade de formações belas e sua cor esbranquiçada, sem falar da tamanha delicadeza e riqueza de detalhes. Mas para chegar até lá fizemos um pouco de sacrifício... isso mesmo! Além da caminhada sempre presente no interior da caverna, tivemos que subir e descer entre rochas e fendas, praticamente rastejar por uns cinco a seis metros até chegar na parte principal dessa galeria. Mas todo o esforço valeu e muito a pena. Não nos arrependemos de nada. Um detalhe muito importante é não esquecer de levar garrafas de água, pois a reidratação é muito importante lá dentro.

Era chegada a hora de voltarmos para o lado de fora da caverna, onde iríamos descansar um pouco e seguir nossa aventura, dessa vez indo até o morro do Pai Inácio. A sensação de ver a entrada da caverna novamente é interessante, pois sabíamos que estávamos a poucos metros de ver novamente o céu azul e aquele sol que nos presenteava com um dia lindo.

Após deixarmos a caverna da Torrinha com a alma e os olhos lavados com tanta beleza e demonstração de força da natureza, partimos de volta para a estrada, agora rumo ao morro do Pai Inácio.

Seguindo para o tão falado morro e famoso por suas formas e vistas lá do alto, pudemos apreciar os vários ângulos da Chapada Diamantina, com suas formações rochosas e toda aquela grandiosidade que nos fazem pensar o quão forte é a mãe terra e a natureza, que com os movimentos das placas tectônicas e o poder das águas dos rios em esculpir as rochas nos presentearam com todo aquele visual deslumbrante.

Pronto, chegamos na pista que dá acesso ao morro do Pai Inácio. De lá já podíamos ter noção do que nos esperava, pois estando ao lado daquelas formações rochosas, por um momento nos sentimos formiguinhas! Tiramos algumas fotos e seguimos por uma estrada de barro até a base do morro, onde existe um abrigo no qual pudemos deixar nossos capacetes e pagar para ter acesso ao morro (R$5,00). Um detalhe a ser lembrado é o horário que os portões são fechados, às 16:30h, pois os responsáveis pela entrada na área do morro pedem que aos primeiros sinais do pôr do sol comecemos a descer o morro, afim de que nossa volta entre as pedras e rochas que fazem parte do caminho até o alto do Pai Inácio possa ser segura e tranquila, com o dia ainda claro.

Já havíamos tirado as fotos na parte de baixo do morro e, enquanto esperávamos nosso amigo Arnilton, decidimos começar a subida em direção ao topo do Pai Inácio. Também é bom levar garrafas de água, pois a subida é bem cansativa e a hidratação se faz necessária. Passamos pelo portão que dá acesso ao morro e começamos a sentir a emoção de escalá-lo. Nada tão radical, mas é uma aventura um tanto quanto emocionante, pois não existe um caminho com piso regular e corrimão. A subida é feita caminhando sobre pedras nas laterais do morro, fazendo daquele passeio um momento ímpar. A cada trecho subido uma pequena pausa para apreciar a paisagem e, por que não, tomar um pouco de ar e descansar a musculatura das pernas!

Após nossa paradinha para um breve descanso, vimos o Arnilton chegando e estacionando sua moto na base do morro. Continuamos nossa escalada devagar e, quando percebemos já estávamos sendo acompanhados por nosso amigo. Seguimos a caminhada vertical em direção ao topo do Pai Inácio conversando com Arnilton, que foi explicando a origem do nome daquele morro.

Já que falei no assunto, vou contar como foi que o morro recebeu esse nome... Inácio era um escravo reprodutor. Diz a lenda que era um homem bonito, um negro forte e de olhos azuis que, um belo dia, se envolveu com a filha de um senhor da alta sociedade local. Não preciso nem dizer que essa história tinha tudo para acabar mal. O pai da então donzela mandou matar o escravo chamado Inácio, que ao ficar sabendo da ordem dada por aquele homem com a honra ferida, pois sua filha havia sido possuída por um escravo, Inácio fugiu e se escondeu no alto do morro. Os homens mandados para capturá-lo e matá-lo o descobriram depois que viram sinais de fumaça vindos lá de cima, pois era o local do acampamento do escravo fugitivo.

Ao perceber que estava cercado, Inácio correu dos algozes e chegou na beira do morro onde parou e falou: "Prefiro me entregar à natureza que morrer pelas mãos de vocês!" E pulou na frente de todos ali presentes. Não sabiam eles que Inácio havia pulado numa pedra logo abaixo do local que estava, fingindo ter se jogado do alto do morro. E assim que pulou, correu em meio à vegetação rasteira passando por trás daqueles que foram até lá para executá-lo, conseguindo assim fugir e continuar sua vida longe dali.

Era hora de começar a descida do morro do Pai Inácio, pois não é recomendada a volta já com a noite presente, por causa do perigo na hora de seguir pelas pedras do caminho.

Ao chegar na base do morro decidimos tirar mais algumas fotos para aproveitar o espetáculo do astro rei, preparando-se para dormir e dar lugar à majestosa lua. Então passamos por uma abertura na cerca e levamos nossas motos até mais perto do limite da base do morro, de onde temos uma visão privilegiada de todo o entorno.

Terminava ali nossa visita ao morro do Pai Inácio! Estávamos maravilhados com tamanha beleza, com um por do sol divino. Era hora de voltar até a pousada onde estávamos hospedados e tomarmos um belo banho, para revigorar nossas forças e aproveitar um pouco da noite nos barzinhos da cidade, agora em companhia dos nossos amigos do Ténéré Club.

Já no centro da cidade era o momento de colocar a conversa em dia, falar das nossas motos, das aventuras feitas até então e, já planejar o próximo evento. Estávamos ali já traçando também, os planos para a viagem de volta para casa. O encontro do Ténéré Club foi um sucesso! Todos ali reunidos, confraternizando, misturando os sotaques, falando das experiências vividas nos passeios daquele final de semana sobre duas rodas.

Aproveitamos então para tirar uma foto da turma toda reunida e, por que não, das nossas amadas e parceiras de viagens. Vale salientar que Niva, minha índia mais que motociclista, não reclamou de nada durante toda a viagem, muito pelo contrário, curtiu cada momento na estrada assim como eu. Por isso são tão apaixonado por essa mulher, pois é tão maluca quanto eu!

Era chegada a hora de ir dormir, pois no dia seguinte sairíamos logo cedo, às 6:30h rumo a Maceió/AL. Até então eu e Niva seguiríamos sozinhos, pois Alberto, nosso amigo alagoano que nos acompanhou na jornada de ida até Lençóis/BA, iria sair um pouco mais cedo para poder parar na estrada em algum restaurante para assistir a largada da corrida de Fórumla 1. Combinamos que nos encontraríamos na estrada, assim como na viagem de ida até a Chapada.

Para nossa surpresa, no domingo enquanto estávamos arrumando a bagagem na moto encontramos com nossos amigos de Salvador/BA, Zé Souza, Chico Bruno, Paulo Muniz e Menezes, no estacionamento da pousada. Enquanto nos despedíamos descobrimos que iríamos voltar pelo mesmo caminho até a cidade de Feira de Santana, em território baiano. Assim sendo, decidimos seguir viagem juntos, nos juntando ainda com Verônica, que estava de carro.

Fiquei super feliz em ver que nossos amigos baianos têm muita consciência quando estão pilotando suas motos, pois mostraram responsabilidade e respeito às leis de trânsito e às suas próprias vidas, sempre usando de bom senso e companheirismo durante toda a viagem.

Fizemos uma parada na cidade de Itaberaba/BA para abastecer as motos e tomar nosso café da manhã. Aproveitamos para registrar nossa jornada juntos até então e bater um bom papo enquanto abastecíamos nosso corpo!

Após tomarmos nosso café da manhã seguimos viagem. Ainda estávamos em clima de festa, felizes pelo evento que foi um sucesso, pela aventura que já havíamos vivido até então e, pela viagem que ainda continuaria por um bom pedaço do dia, que estava com um céu azul e ensolarado.

Seguimos juntos até Feira de Santana em solo baiano, onde paramos para descansar um pouco e nos despedirmos dos nossos amigos, e já marcando para nos encontrarmos assim que Deus permita. Foi muito legal ter a companhia dos amigos soteropolitanos até aquele ponto da viagem. Era o momento de seguirmos sozinhos novamente, esperando em algum ponto da viagem encontrar com nosso amigo Alberto Góes, que havia partido pouco mais cedo que todos nós, afim de parar em algum lugar e assistir o início da corrida de Fórmula 1.

Estávamos na cidade de Esplanada/BA e já era quase meio dia quando decidimos fazer uma parada para abastecimento e almoçar. Após aquela pequena pausa seguimos viagem, ainda sozinhos. Foi ali que tivemos uma pequena surpresa, pois numa subida muito íngreme senti a corrente da moto passar fazendo um pequeno barulho. Na mesma hora parei a moto no acostamento e percebi que a corrente estava muito folgada. Dei um pequeno aperto na mesma e seguimos viagem num ritmo mais lento para não forçar a corrente. Paramos num posto de gasolina e conseguimos ferramentas mais apropriadas para fazer o aperto necessário na corrente da moto. Mas eu estava achando que o problema era no pinhão, que deveria estar avariado pela própria viagem. Ajustes feitos, seguimos na estrada até encontrar com nosso amigo Alberto, numa de suas paradas para descanso num posto de combustíveis. Dali em diante passamos a viajar juntos novamente, compartilhando da excelente companhia do amigo alagoano.

Até então tínhamos planos de seguir direto até Maceió, pois como nossas motos têm faróis muito bons, poderíamos continuar a viagem durante a noite, já que estaríamos em estradas alagoanas, as quais já temos mais intimidade. A jornada seguiu tranquila e sem problemas até pegarmos uma chuva fraca já na cidade de Junqueiro/AL. Como a chuva não era forte optamos por seguir viagem, só que numa velocidade menor para a nossa própria segurança. Passaríamos a viajar entre 70 a 80km/h por causa da chuva. Ao chegar na cidade de São Miguel dos Campos fizemos mais uma parada para esticar as pernas. Aproveitei para apertar mais uma vez a corrente. Alberto sugeriu que Niva seguisse viagem com ele na sua Ténéré 660, pois iria aliviar o peso na nossa branquela e pouparíamos o pinhão e corrente. Com a graça de Deus nossa viagem seguiu com tranquilidade e sem problemas até chegarmos em Maceió, já por volta das 23h. Ao sairmos de São Miguel dos Campos já não tínhamos mais a chuva como companheira de viagem.

Em Jaraguá, bairro de Maceió, paramos mais uma vez, mas agora era para nos despedirmos de Alberto. Foi adorável a companhia do amigo durante toda a viagem e, também em Lençóis/BA onde pudemos conversar e curtir a noite com os amigos do Ténéré Club.

Eu, Niva e a branquela chegamos em casa exatamente às 23:45h, exaustos depois de 18 horas de viagem, mas completamente felizes por toda aquela aventura. Estávamos de alma lavada, não só pela chuva que pegamos em parte da viagem, mas por tudo que pudemos vivenciar na Chapada Diamantina, juntos, curtindo um ao outro e compartilhando todas aquelas experiências.

Bom meus amigos, espero que tenham curtido nossa aventura em solo bahiano no feriado da independência brasileira, experimentando sensações em estradas de terra, asfalto, em cavernas e grutas, escalando morros e vendo toda aquela imensidão da Chapada Diamantina.

Ficamos aqui agradecidos pela sua visita e já nos comprometendo em compartilhar mais uma aventura aqui com vocês daqui a pouco! Um grande abraço a todos e até breve!

Hugo Falcão

 

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